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Q&A - Por trás da crise/ Behind the crisis
Igi Lola Ayedun responde ponto a ponto às principais questões envolvendo a crise da HOA Galeria, as acusações, os processos e o futuro da HOA./ Igi Lola Ayedun addresses, point by point, the key questions surrounding the HOA Galeria crisis — including the accusations, lawsuits, and the future of HOA.
Por que você investiu quase R$1 milhão em um imóvel que não era seu? A parceria nos permite usar o espaço até 2027. Reformamos o galpão por inteiro com recursos próprios, transformando um lugar inativo em um centro de cultura contemporânea vivo e pulsante. Os investimentos também incluíram a programação artística e cultural que realizamos lá. Como era uma parceria de longo prazo, havia maior segurança de que esse valor seria recuperado ao longo do tempo, por meio das vendas de obras, captação com marcas e outros modelos de operação. Você tentou resolver isso no silêncio? Sim. Mantivemos por muito tempo tratativas extrajudiciais, sempre com diálogo, tentando chegar a um acordo justo, com o mediação dos meus advogados. A HOA está pedindo ressarcimento? Sim. A parceria foi interrompida antes do previsto, o que nos impediu de dar continuidade às atividades comerciais e culturais que sustentavam financeiramente a galeria. Os prejuízos dessa ruptura precisam ser indenizados. Foi tentado algum tipo de diálogo ou conciliação antes da ação judicial? Sim. Por meio de nossos advogados, foram encaminhados documentos detalhados com os valores investidos pela HOA, além de questionamentos objetivos sobre quais quantias a Atropos e a Almeida & Dale eventualmente considerariam devidas pela HOA. O objetivo era estabelecer um encontro de contas e abrir espaço para uma possível conciliação. No entanto, não houve resposta por parte dos representantes da outra parte. Cabe destacar que os valores atualmente apontados recentemente como dívida foram anteriormente referidos por eles próprios como formas de apoio institucional, doação ou patrocínio. Todas as minutas enviadas pela HOA com o intuito de formalizar os termos da colaboração ou de eventual financiamento foram ignoradas. Além disso, todas as propostas de contrapartida apresentadas pela HOA, que não envolviam vínculo societário, foram recusadas, com exceção da questão de uso do imóvel até 2027. A ação foi movida contra a HOA Cultural Society?
A HOA se recusou a desocupar o imóvel? Não. A HOA não se opôs à desocupação do imóvel. Ocorre que, diante da ruptura antecipada do acordo de uso, foi apresentada a solicitação de compensação proporcional pelos investimentos realizados no espaço ao longo do período de ocupação. A proposta visava garantir o encerramento da relação de forma justa, equilibrada e proporcional aos aportes previamente feitos. A última resposta que tivemos foi o ataque com pedido de uso de força policial. Por que foi recusada a sociedade com a Atropos / Almeida & Dale?
Como funcionava o apoio logístico entre a HOA e a Atropos / Almeida & Dale? O apoio logístico era estruturado de forma compartilhada. Parte das despesas era registrada diretamente no radar (número fiscal aduaneiro) da HOA, com reembolso ou pagamento efetuado pela Atropos. Outras operações eram realizadas diretamente em nome da Almeida & Dale. Devido à estrutura consolidada do grupo, eles também ofereciam suporte técnico com serviços de conservação, embalagem e acondicionamento de obras. Com a ruptura unilateral da relação e o consequente abandono das operações, a HOA foi deixada com dívidas significativas junto a transportadoras e empresas especializadas em conservação e armazenamento de obras de arte. Houve consenso sobre a criação de um banco de obras entre as partes? Não houve. Embora tenham sido realizadas conversas preliminares sobre o tema, nunca se chegou a um entendimento firmado a respeito da constituição de um banco de obras em comum. A ausência de alinhamento nesse ponto contribuiu para o enfraquecimento da relação entre as partes. Por que a galeria ficou tanto tempo de portas fechadas? Porque o impasse com a Atropos travou a operação. Ficamos meses tentando resolver sem confronto direto. O seu afastamento por motivo de saúde impactou a HOA? Sim. Eu estava em tratamento oncológico, mas ainda assim desenhei um sistema para garantir a sustentabilidade mínima da operação. Só que a ruptura dos acordos enfraqueceu tudo. Mantive tudo até onde pude. Além disso, a HOA sempre foi uma organização que investiu fortemente no desenvolvimento das carreiras dos artistas que representa — com suporte financeiro direto para produção de obras, exposições, viagens, feiras internacionais e muito mais. Por isso firmamos cláusulas de reciprocidade nos contratos, prevendo que, sobretudo diante das situações extremas como a que enfrentamos, os artistas deveriam restituir parte dos valores investidos. Diante do colapso financeiro, precisei tomar a difícil decisão de aplicar essa cláusula em alguns casos, encerrando repasses e reintegrando investimentos feitos. Você acha que existem fatores maiores por trás da crise da HOA Galeria além dos conflitos individuais? Com certeza. Existem todas as camadas pessoais, inclusive muito dolorosas — como o luto materno e o impacto do tratamento que enfrentei —, mas também há um problema técnico, estrutural e de mercado. A HOA Galeria era uma estrutura preta que movimentava o mercado de arte contemporânea e gerava oportunidades concretas para pessoas em posições que até então eram negadas a elas. E esse sistema foi destruído por oportunismo e quebra de acordos por parte de empresas que se diziam parceiras. A verdade é que, se essas grandes galerias que se beneficiaram do hype da HOA tivessem cumprido os acordos firmados, a HOA não teria dívidas. Mas era evidente que não havia interesse em ver a HOA prosperar como uma estrutura independente — sem sócios, sem investidor, sem oligarquias. Nosso calcanhar de Aquiles era o mesmo da maioria da população brasileira: o dinheiro. E foi justamente aí que fomos atacados. A inadimplência de terceiros nos transformou, injustamente, numa estrutura inadimplente. E, com as rédeas soltas, muita gente se preocupou mais em tirar o que podia para si enquanto ainda dava tempo, do que em manter viva uma estrutura que existia para o benefício coletivo. Houve alguma doação da Atropos no início? Sim, recebemos uma doação de recursos no início da relação. Por que você não expôs isso antes? Porque acreditei na possibilidade de diálogo. Achei que o cuidado, a boa-fé e a minha vulnerabilidade seriam respeitados. Mas isso não aconteceu. A HOA Galeria recebeu dinheiro público? Nunca. Todo o investimento da HOA veio de recursos próprios. Nunca houve margem de lucro porque tudo que ganhamos era reinvestido na produção dos artistas e todo o suporte técnico e profissional necessário. Existem outros processos contra a HOA? Sim. Infelizmente, estamos lidando com processos movidos por pessoas que optaram pela via judicial ao invés de acordos. Todos estão sendo acompanhados com responsabilidade e defesa apresentada — dois deles já estão suspensos por decisão judicial. Vocês estão impedindo a retirada de obras? Não. No entanto, diante da atual limitação de recursos financeiros, nem todas as operações logísticas puderam ser concluídas de forma imediata. Muitos artistas também relataram dificuldade em arcar com os custos por conta própria. Durante todo esse período, as obras permaneceram armazenadas em empresas especializadas, devidamente embaladas e acondicionadas, com os custos sendo acumulados aos débitos da HOA. Artistas que receberam primeiro lote de devoluções ou optaram por retirar diretamente suas obras receberam-nas em perfeitas condições, com embalagens profissionais e a integridade preservada. A galeria Almeida & Dale está com obras da HOA Galeria? Sim. Algumas obras que pertencem aos artistas que passaram pela HOA estão no exterior sob responsabilidade da Almeida & Dale. Já pedimos formalmente a devolução. As pessoas sabiam da tentativa de aquisição da HOA Galeria pela Atropos? Sim. Toda a equipe e os artistas sabiam. A recusa foi uma decisão conjunta. E todos estavam cientes dos impactos e prejuízos financeiros que essa decisão poderia trazer — e trouxe. Mas não acho que dimensionaram o quanto. Por que você esperou tanto para falar? Porque eu estava lutando pela minha vida. E porque achei que o cuidado e o respeito que eu sempre ofereci voltariam da mesma forma. Mas diante do silêncio e da tentativa de distorcer a narrativa, preciso garantir que a minha versão seja ouvida. Quanto foi investido pela HOA Galeria no desenvolvimento dos artistas? Foram cerca de 5 milhões de reais ao longo dos últimos anos. Os valores por artista variavam bastante — de 30 mil a até 1 milhão de reais, dependendo do projeto, das oportunidades envolvidas e do momento de cada trajetória. Em que esses valores eram aplicados? Dependia muito dos projetos de cada artista. A HOA sempre se adaptou aos projetos. Esses investimentos incluíam de tudo: moradia com contas pagas, exposições em instituições públicas, apoio logístico, ateliê, materiais, advogados para situações contenciosas, materiais de divulgação, apoio internacional, acompanhamento curatorial, formalização técnica dos trabalhos com molduras e chassis de qualidade, passagens, viagens, hospedagens. Enfim, tudo o que fosse possível para que o artista tivesse condições mínimas de se dedicar à criação. Obviamente, não conseguimos fazer tudo 360 graus para todos, mas todos foram minimamente contemplados com suporte real. A cláusula de reciprocidade nos contratos de representação artística sempre foi aplicada? Sim. A cláusula de reciprocidade existia desde a primeira versão dos contratos justamente para evitar prejuízos em caso de rompimento. Sempre entendi que a sua aplicação seria mais relevante com o tempo, à medida que os artistas fossem valorizando. E de fato: ela acabou sendo aplicada em todos os casos. Os artistas que optaram por uma resolução amigável estão compensando os investimentos com doações de obras. Já os casos de retenção de pagamentos são específicos e variam conforme o histórico e o volume real de vendas. Como a HOA lidava com a formalização e o entendimento dos contratos firmados com artistas? Infelizmente, em alguns casos, houve artistas que mantiveram relações profissionais com a HOA por até três anos sem buscar compreender plenamente os contratos que assinaram — mesmo após diversas versões terem sido enviadas para leitura, revisão e assinatura. A HOA sempre disponibilizou assessoria jurídica para esclarecimentos e garantiu que todos os acordos fossem formalizados por escrito. A transparência contratual e a formalização das relações foram princípios adotados desde o início de nossa atuação institucional. Como você responde à frustração de alguns artistas com o modelo da HOA Galeria? A frustração com algo que não atende às expectativas é humana. Mas também acho que pouca gente consegue dimensionar o que é criar, manter e sustentar uma estrutura como a HOA. Desde o início, propusemos não só um outro modelo de circulação, mas uma tentativa de redesenhar as regras do jogo. Isso nos colocou em constante resistência com o sistema — dos colecionadores às galerias estabelecidas. Aplicamos cláusulas de direito de sequência nos contratos, algo que quase ninguém queria discutir, justamente para garantir a longevidade financeira do artista. Cobramos percentuais de galerias que expuseram artistas que vieram da HOA, defendendo que era justo partilhar os privilégios com quem ajudou a construir aquela carreira. Sempre foi muito difícil fechar as contas, ainda mais porque, em menos de cinco anos, tivemos que sustentar tudo isso. Além disso, muitos colecionadores demoravam a pagar ou parcelavam compras — algo que os artistas nem sempre entendiam. Viam a HOA como responsável pelo atraso quando, na verdade, estávamos cobrando os compradores para que pagassem. Pagamentos internacionais eram os mais difíceis porque os artistas não tinham estrutura bancária internacional, então tudo tinha que passar pela gente e, muitas vezes, o processo de câmbio demorava muito junto as documentações aduaneiras em uma empresa jovem. Algumas relações tiveram origem em relacionamentos pessoais de amizade e o que era profissional acaba sendo muito pessoalizado adicionando mais uma camada de frustração. Sei que o tempo da galeria nem sempre acompanha a urgência da vida. Mas a minha prioridade sempre foi que as obras fossem feitas, que o trabalho artístico se desenvolvesse. Porque, com ou sem a HOA, esse trabalho seria a única força capaz de manter o artista em pé. Por que você escolheu não expor ou contra-atacar publicamente as pessoas que moveram ações contra você ou contra a HOA? Porque não é de mim que sairá a constatação prazerosa da hegemonia de que somos desorganizados e brigamos até entre nós. Eu conheço as dinâmicas das violências estruturais demais para cair nesse erro. Sempre optei pelo diálogo como possibilidade, e mesmo diante dos ataques, escolho agir em minha defesa — mas não alimentar o ciclo de destruição entre pessoas que, no fundo, foram todas impactadas por uma estrutura muito maior do que nossas frustrações pessoais. Apesar de muitas declarações serem caluniosas, expor essas pessoas não é do meu interesse. Sei que muitas das reações vêm da dor, da desesperança ou do impulso, e prefiro enxergar isso com alguma compaixão, sem deixar de proteger o que construí com tanto esforço. Os artistas sabiam das dificuldades da HOA e das negociações com outras galerias? Sempre fui transparente com os artistas representados sobre os desafios e impasses — especialmente quando começamos a nos aproximar de galerias maiores e enfrentamos decisões estratégicas difíceis. Mas entendo que nem todos tinham a dimensão da seriedade do que estávamos enfrentando. Não por falta de comunicação, mas porque o próprio sistema falha em ensinar como essas estruturas funcionam — especialmente para quem vem das margens. Você acredita que a classe artística compreende como funciona o sistema financeiro e político do mercado da arte? Não. Infelizmente, acredito que a classe artística ainda é muito leiga sobre as estruturas financeiras e políticas do mercado da arte. E isso nos leva a lidar com situações complexas que muitas vezes não conseguimos compreender em sua totalidade. Eu só consegui abrir uma galeria porque tenho um background em estratégia de negócios, o que me deu uma base para estruturar algo sólido. Mesmo assim, vários detalhes e nuances fui aprendendo na prática, com acertos e erros. Sempre tentei agir com o máximo de responsabilidade, formalizando tudo por escrito, mantendo contratos, acordos e registros claros sobre cada relação profissional. Hoje, diante de tanta distorção e crueldade, é justamente esse cuidado com a formalidade e a transparência que tem me protegido. É o que sustenta minha defesa e me ajuda a atravessar esse momento com clareza e integridade. Por que você não declarou falência ou pediu recuperação judicial da HOA Galeria? Porque isso poderia significar encerrar a HOA Galeria sem pagar ninguém — o que, apesar de parecer uma solução confortável para mim, não seria justo com as pessoas que realmente prestaram serviços e que precisam ser remuneradas. Sigo comprometida em buscar saídas justas e equilibradas para que a história da HOA Galeria termine com dignidade e respeito a quem construiu essa trajetória comigo. Declarar falência ou pedir recuperação judicial são as últimas opções. Você reconhece as pendências da HOA Galeria? Pretende pagá-las? Sim. Ainda em tratamento, pedi para que esperassem e assumi por escrito o compromisso de que honraria todas as pendências reais da HOA. E sigo firme nesse propósito. Mas também preciso ser justa: não posso permitir que pessoas tirem proveito da minha vulnerabilidade para inflacionar valores ou cobrar o que não corresponde à realidade da experiência que tivemos. O que você sente sobre como foi tratada por ex-parceiros e ex-colaboradores? Sinto que houve aproveitamento da minha vulnerabilidade para me prejudicar de formas sem precedentes. E isso é profundamente doloroso. Há também outra galeria grande com várias sedes no exterior que deve valores altos à HOA, e esse caso está sendo tratado de forma extrajudicial. Eu sigo acreditando que ainda é possível chegar a uma resolução justa, porque minha história não acabou. Você pretende acionar judicialmente essa galeria que deve à HOA? O ideal seria que não fosse necessário. Prefiro resolver tudo fora dos tribunais, com respeito, clareza e reconhecimento mútuo. Mas não hesitarei em me proteger caso seja preciso. Como você vê os conflitos com pessoas da sua própria comunidade artística? São as dores mais difíceis. Porque brigar dentro da própria comunidade, enquanto figuras poderosas, hegemônicas e nocivas seguem intocadas, é injusto. Existe uma diferença entre responsabilizar e rivalizar — e, muitas vezes, o sistema nos empurra para a segunda opção. Mas eu sei quem eu sou. Sei o que construí. E seguirei me defendendo — e defendendo a HOA — de toda e qualquer acusação que considere injusta. Sem medo de perder nada. Porque não é isso que me move. O que eu gostaria honestamente era tempo e espaço para resolver tudo sem guerra. Você já está completamente curada? Não. Estou em remissão, o que significa que a doença está controlada, mas ainda não estou curada. Passei por 6 ciclos de quimioterapia combinados com imunoterapia (cada ciclo com 4 sessões de quimio + 1 de imuno) e também fiz 28 sessões de radioterapia. Estou em remissão há 7–8 meses, mas sigo sob acompanhamento constante, com exames periódicos e avaliações médicas. Muita gente confunde remissão com cura, mas a realidade é mais complexa. Meu tumor está estabilizado, porém sem alta médica. Ainda pode ser necessário retomar o tratamento, caso a doença volte a progredir. Esse processo exige atenção contínua à minha saúde física e emocional — e respeito ao meu tempo e limites. Você está trabalhando normalmente? Eu trabalho, sim, mas em um ritmo muito mais reduzido do que anteriormente. Tenho retornado às atividades profissionais que exercia antes da HOA e também tenho focado muito mais na minha carreira como artista, que é, hoje, o que sustenta minha vida e a do meu irmão. Esse trabalho tem sido fundamental não só para manter meu cuidado com a saúde, mas também para conseguir lidar com a avalanche de custos legais e honorários advocatícios que tenho enfrentado recentemente. Estou tentando me reorganizar de forma saudável e equilibrada, respeitando meus limites físicos e emocionais. O que você deseja a partir de tudo isso? Uma resolução justa e equilibrada, que leve em conta todo o trabalho construído ao longo desses anos, os investimentos feitos — tanto financeiros quanto intelectuais e emocionais — e todas as circunstâncias atravessadas, inclusive as mais difíceis. Desejo, acima de tudo, poder cuidar da minha saúde com tranquilidade, retomar minha vida com dignidade e ter o direito de viver uma vida longa e de ser feliz. | Why did you invest nearly R$1 million in a property you did not own? Did you try to resolve things quietly? Is HOA seeking compensation? Was any attempt at dialogue or settlement made before legal action? Was the lawsuit filed against HOA Cultural Society? Did HOA refuse to vacate the property? Why did you reject the proposed partnership with Atropos / Almeida & Dale? How was the logistical support structured between HOA and Atropos / Almeida & Dale? Was there a formal agreement regarding a shared art collection or stock between the parties? Why was the gallery closed for so long? Did your health condition affect HOA’s operation? HOA has always invested heavily in the development of its artists’ careers — providing direct financial support for the production of artworks, exhibitions, travel, shipping, international fairs, and more. Do you believe there are larger systemic issues behind HOA’s crisis beyond individual conflicts? Was there a donation from Atropos at the beginning? Why didn’t you speak out earlier? Did HOA Galeria receive public funding? Are there other lawsuits against HOA? Is HOA preventing the return of artworks? Is Almeida & Dale holding HOA artists’ works? Was the HOA acquisition attempt by Atropos known to others? Why did you wait so long to speak up? How much did HOA invest in artists’ development? Where were these amounts allocated? Was the reciprocity clause always enforced? How did HOA handle contractual understanding and formalization with artists? How do you respond to artists frustrated with HOA’s model? Moreover, collectors often delayed or paid in installments — something artists didn’t always grasp. They blamed HOA for delays when we were still chasing payments. International payments were the hardest, since artists lacked global banking structures. Everything had to go through us, and currency exchange and customs paperwork slowed things down. Some relationships began as personal friendships, and what was professional ended up becoming highly personalized, adding yet another layer of frustration. I understand the urgency of life doesn’t always align with a gallery’s pace, but my priority was always that the work got made. Because with or without HOA, the work is what will keep the artist standing. Why didn’t you publicly expose or retaliate against those suing you or HOA? Did artists know about HOA’s difficulties and negotiations with other galleries? Do you think the artistic community understands how the art market’s financial and political systems work? Why didn’t you declare bankruptcy or file for judicial reorganization of HOA Galeria? Do you acknowledge HOA Galeria’s outstanding obligations? Do you intend to pay them? How do you feel about the way you were treated by former partners and collaborators? Do you intend to take legal action against that gallery? How do you view the conflicts with people from your own artistic community? Are you completely healed? Are you currently working? What do you hope for after all this? |