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Q&A - Por trás da crise/ Behind the crisis

Igi Lola Ayedun responde ponto a ponto às principais questões envolvendo a crise da HOA Galeria, as acusações, os processos e o futuro da HOA./ Igi Lola Ayedun addresses, point by point, the key questions surrounding the HOA Galeria crisis — including the accusations, lawsuits, and the future of HOA.

Por que você investiu quase R$1 milhão em um imóvel que não era seu?

A parceria nos permite usar o espaço até 2027. Reformamos o galpão por inteiro com recursos próprios, transformando um lugar inativo em um centro de cultura contemporânea vivo e pulsante. Os investimentos também incluíram a programação artística e cultural que realizamos lá. Como era uma parceria de longo prazo, havia maior segurança de que esse valor seria recuperado ao longo do tempo, por meio das vendas de obras, captação com marcas e outros modelos de operação.

Você tentou resolver isso no silêncio?

Sim. Mantivemos por muito tempo tratativas extrajudiciais, sempre com diálogo, tentando chegar a um acordo justo, com o mediação dos meus advogados.

A HOA está pedindo ressarcimento?

Sim. A parceria foi interrompida antes do previsto, o que nos impediu de dar continuidade às atividades comerciais e culturais que sustentavam financeiramente a galeria. Os prejuízos dessa ruptura precisam ser indenizados.

Foi tentado algum tipo de diálogo ou conciliação antes da ação judicial?

Sim. Por meio de nossos advogados, foram encaminhados documentos detalhados com os valores investidos pela HOA, além de questionamentos objetivos sobre quais quantias a Atropos e a Almeida & Dale eventualmente considerariam devidas pela HOA. O objetivo era estabelecer um encontro de contas e abrir espaço para uma possível conciliação. No entanto, não houve resposta por parte dos representantes da outra parte. Cabe destacar que os valores atualmente apontados recentemente como dívida foram anteriormente referidos por eles próprios como formas de apoio institucional, doação ou patrocínio. Todas as minutas enviadas pela HOA com o intuito de formalizar os termos da colaboração ou de eventual financiamento foram ignoradas. Além disso, todas as propostas de contrapartida apresentadas pela HOA, que não envolviam vínculo societário, foram recusadas, com exceção da questão de uso do imóvel até 2027.

A ação foi movida contra a HOA Cultural Society?


Não. A HOA Cultural Society é uma organização sem fins lucrativos e não possui qualquer vínculo jurídico ou contratual com a Atropos ou com a Almeida & Dale. Toda e qualquer relação anteriormente existente ocorreu exclusivamente entre a Atropos e a HOA Galeria, que é uma entidade de natureza comercial.

A HOA se recusou a desocupar o imóvel?

Não. A HOA não se opôs à desocupação do imóvel. Ocorre que, diante da ruptura antecipada do acordo de uso, foi apresentada a solicitação de compensação proporcional pelos investimentos realizados no espaço ao longo do período de ocupação. A proposta visava garantir o encerramento da relação de forma justa, equilibrada e proporcional aos aportes previamente feitos. A última resposta que tivemos foi o ataque com pedido de uso de força policial.

Por que foi recusada a sociedade com a Atropos / Almeida & Dale?


A recusa decorreu de uma análise criteriosa, que incluiu informações de domínio público relacionadas a investigações envolvendo os sócios do grupo Almeida & Dale / Atropos. Diante dessas informações, concluiu-se que não seria apropriado, nem recomendável estabelecer vínculo societário com o referido grupo.

Como funcionava o apoio logístico entre a HOA e a Atropos / Almeida & Dale?

O apoio logístico era estruturado de forma compartilhada. Parte das despesas era registrada diretamente no radar (número fiscal aduaneiro) da HOA, com reembolso ou pagamento efetuado pela Atropos. Outras operações eram realizadas diretamente em nome da Almeida & Dale. Devido à estrutura consolidada do grupo, eles também ofereciam suporte técnico com serviços de conservação, embalagem e acondicionamento de obras. Com a ruptura unilateral da relação e o consequente abandono das operações, a HOA foi deixada com dívidas significativas junto a transportadoras e empresas especializadas em conservação e armazenamento de obras de arte.

Houve consenso sobre a criação de um banco de obras entre as partes?

Não houve. Embora tenham sido realizadas conversas preliminares sobre o tema, nunca se chegou a um entendimento firmado a respeito da constituição de um banco de obras em comum. A ausência de alinhamento nesse ponto contribuiu para o enfraquecimento da relação entre as partes.

Por que a galeria ficou tanto tempo de portas fechadas?

Porque o impasse com a Atropos travou a operação. Ficamos meses tentando resolver sem confronto direto.

O seu afastamento por motivo de saúde impactou a HOA?

Sim. Eu estava em tratamento oncológico, mas ainda assim desenhei um sistema para garantir a sustentabilidade mínima da operação. Só que a ruptura dos acordos enfraqueceu tudo. Mantive tudo até onde pude.

Além disso, a HOA sempre foi uma organização que investiu fortemente no desenvolvimento das carreiras dos artistas que representa — com suporte financeiro direto para produção de obras, exposições, viagens, feiras internacionais e muito mais.

Por isso firmamos cláusulas de reciprocidade nos contratos, prevendo que, sobretudo diante das situações extremas como a que enfrentamos, os artistas deveriam restituir parte dos valores investidos. Diante do colapso financeiro, precisei tomar a difícil decisão de aplicar essa cláusula em alguns casos, encerrando repasses e reintegrando investimentos feitos.

Você acha que existem fatores maiores por trás da crise da HOA Galeria além dos conflitos individuais?

Com certeza. Existem todas as camadas pessoais, inclusive muito dolorosas — como o luto materno e o impacto do tratamento que enfrentei —, mas também há um problema técnico, estrutural e de mercado. A HOA Galeria era uma estrutura preta que movimentava o mercado de arte contemporânea e gerava oportunidades concretas para pessoas em posições que até então eram negadas a elas. E esse sistema foi destruído por oportunismo e quebra de acordos por parte de empresas que se diziam parceiras. A verdade é que, se essas grandes galerias que se beneficiaram do hype da HOA tivessem cumprido os acordos firmados, a HOA não teria dívidas. Mas era evidente que não havia interesse em ver a HOA prosperar como uma estrutura independente — sem sócios, sem investidor, sem oligarquias. Nosso calcanhar de Aquiles era o mesmo da maioria da população brasileira: o dinheiro. E foi justamente aí que fomos atacados. A inadimplência de terceiros nos transformou, injustamente, numa estrutura inadimplente. E, com as rédeas soltas, muita gente se preocupou mais em tirar o que podia para si enquanto ainda dava tempo, do que em manter viva uma estrutura que existia para o benefício coletivo.

Houve alguma doação da Atropos no início?

Sim, recebemos uma doação de recursos no início da relação.

Por que você não expôs isso antes?

Porque acreditei na possibilidade de diálogo. Achei que o cuidado, a boa-fé e a minha vulnerabilidade seriam respeitados. Mas isso não aconteceu.

A HOA Galeria recebeu dinheiro público?

Nunca. Todo o investimento da HOA veio de recursos próprios. Nunca houve margem de lucro porque tudo que ganhamos era reinvestido na produção dos artistas e todo o suporte técnico e profissional necessário.

Existem outros processos contra a HOA?

Sim. Infelizmente, estamos lidando com processos movidos por pessoas que optaram pela via judicial ao invés de acordos. Todos estão sendo acompanhados com responsabilidade e defesa apresentada — dois deles já estão suspensos por decisão judicial.

Vocês estão impedindo a retirada de obras?

Não. No entanto, diante da atual limitação de recursos financeiros, nem todas as operações logísticas puderam ser concluídas de forma imediata. Muitos artistas também relataram dificuldade em arcar com os custos por conta própria. Durante todo esse período, as obras permaneceram armazenadas em empresas especializadas, devidamente embaladas e acondicionadas, com os custos sendo acumulados aos débitos da HOA. Artistas que receberam primeiro lote de devoluções ou optaram por retirar diretamente suas obras receberam-nas em perfeitas condições, com embalagens profissionais e a integridade preservada.

A galeria Almeida & Dale está com obras da HOA Galeria?

Sim. Algumas obras que pertencem aos artistas que passaram pela HOA estão no exterior sob responsabilidade da Almeida & Dale. Já pedimos formalmente a devolução. 

As pessoas sabiam da tentativa de aquisição da HOA Galeria pela Atropos?

Sim. Toda a equipe e os artistas sabiam. A recusa foi uma decisão conjunta. E todos estavam cientes dos impactos e prejuízos financeiros que essa decisão poderia trazer — e trouxe. Mas não acho que dimensionaram o quanto.

Por que você esperou tanto para falar?

Porque eu estava lutando pela minha vida. E porque achei que o cuidado e o respeito que eu sempre ofereci voltariam da mesma forma. Mas diante do silêncio e da tentativa de distorcer a narrativa, preciso garantir que a minha versão seja ouvida.

Quanto foi investido pela HOA Galeria no desenvolvimento dos artistas?

Foram cerca de 5 milhões de reais ao longo dos últimos anos. Os valores por artista variavam bastante — de 30 mil a até 1 milhão de reais, dependendo do projeto, das oportunidades envolvidas e do momento de cada trajetória.

Em que esses valores eram aplicados?

Dependia muito dos projetos de cada artista. A HOA sempre se adaptou aos projetos. Esses investimentos incluíam de tudo: moradia com contas pagas, exposições em instituições públicas, apoio logístico, ateliê, materiais, advogados para situações contenciosas, materiais de divulgação, apoio internacional, acompanhamento curatorial, formalização técnica dos trabalhos com molduras e chassis de qualidade, passagens, viagens, hospedagens. Enfim, tudo o que fosse possível para que o artista tivesse condições mínimas de se dedicar à criação. Obviamente, não conseguimos fazer tudo 360 graus para todos, mas todos foram minimamente contemplados com suporte real.

A cláusula de reciprocidade nos contratos de representação artística sempre foi aplicada?

Sim. A cláusula de reciprocidade existia desde a primeira versão dos contratos justamente para evitar prejuízos em caso de rompimento. Sempre entendi que a sua aplicação seria mais relevante com o tempo, à medida que os artistas fossem valorizando. E de fato: ela acabou sendo aplicada em todos os casos. Os artistas que optaram por uma resolução amigável estão compensando os investimentos com doações de obras. Já os casos de retenção de pagamentos são específicos e variam conforme o histórico e o volume real de vendas.

Como a HOA lidava com a formalização e o entendimento dos contratos firmados com artistas?

Infelizmente, em alguns casos, houve artistas que mantiveram relações profissionais com a HOA por até três anos sem buscar compreender plenamente os contratos que assinaram — mesmo após diversas versões terem sido enviadas para leitura, revisão e assinatura. A HOA sempre disponibilizou assessoria jurídica para esclarecimentos e garantiu que todos os acordos fossem formalizados por escrito. A transparência contratual e a formalização das relações foram princípios adotados desde o início de nossa atuação institucional.

Como você responde à frustração de alguns artistas com o modelo da HOA Galeria?

A frustração com algo que não atende às expectativas é humana. Mas também acho que pouca gente consegue dimensionar o que é criar, manter e sustentar uma estrutura como a HOA. Desde o início, propusemos não só um outro modelo de circulação, mas uma tentativa de redesenhar as regras do jogo. Isso nos colocou em constante resistência com o sistema — dos colecionadores às galerias estabelecidas. Aplicamos cláusulas de direito de sequência nos contratos, algo que quase ninguém queria discutir, justamente para garantir a longevidade financeira do artista. Cobramos percentuais de galerias que expuseram artistas que vieram da HOA, defendendo que era justo partilhar os privilégios com quem ajudou a construir aquela carreira. Sempre foi muito difícil fechar as contas, ainda mais porque, em menos de cinco anos, tivemos que sustentar tudo isso.

Além disso, muitos colecionadores demoravam a pagar ou parcelavam compras — algo que os artistas nem sempre entendiam. Viam a HOA como responsável pelo atraso quando, na verdade, estávamos cobrando os compradores para que pagassem. Pagamentos internacionais eram os mais difíceis porque os artistas não tinham estrutura bancária internacional, então tudo tinha que passar pela gente e, muitas vezes, o processo de câmbio demorava muito junto as documentações aduaneiras em uma empresa jovem. Algumas relações tiveram origem em relacionamentos pessoais de amizade e o que era profissional acaba sendo muito pessoalizado adicionando mais uma camada de frustração. Sei que o tempo da galeria nem sempre acompanha a urgência da vida. Mas a minha prioridade sempre foi que as obras fossem feitas, que o trabalho artístico se desenvolvesse. Porque, com ou sem a HOA, esse trabalho seria a única força capaz de manter o artista em pé.

Por que você escolheu não expor ou contra-atacar publicamente as pessoas que moveram ações contra você ou contra a HOA?

Porque não é de mim que sairá a constatação prazerosa da hegemonia de que somos desorganizados e brigamos até entre nós. Eu conheço as dinâmicas das violências estruturais demais para cair nesse erro. Sempre optei pelo diálogo como possibilidade, e mesmo diante dos ataques, escolho agir em minha defesa — mas não alimentar o ciclo de destruição entre pessoas que, no fundo, foram todas impactadas por uma estrutura muito maior do que nossas frustrações pessoais.

Apesar de muitas declarações serem caluniosas, expor essas pessoas não é do meu interesse. Sei que muitas das reações vêm da dor, da desesperança ou do impulso, e prefiro enxergar isso com alguma compaixão, sem deixar de proteger o que construí com tanto esforço.

Os artistas sabiam das dificuldades da HOA e das negociações com outras galerias?

Sempre fui transparente com os artistas representados sobre os desafios e impasses — especialmente quando começamos a nos aproximar de galerias maiores e enfrentamos decisões estratégicas difíceis. Mas entendo que nem todos tinham a dimensão da seriedade do que estávamos enfrentando. Não por falta de comunicação, mas porque o próprio sistema falha em ensinar como essas estruturas funcionam — especialmente para quem vem das margens.

Você acredita que a classe artística compreende como funciona o sistema financeiro e político do mercado da arte?

Não. Infelizmente, acredito que a classe artística ainda é muito leiga sobre as estruturas financeiras e políticas do mercado da arte. E isso nos leva a lidar com situações complexas que muitas vezes não conseguimos compreender em sua totalidade.

Eu só consegui abrir uma galeria porque tenho um background em estratégia de negócios, o que me deu uma base para estruturar algo sólido. Mesmo assim, vários detalhes e nuances fui aprendendo na prática, com acertos e erros. Sempre tentei agir com o máximo de responsabilidade, formalizando tudo por escrito, mantendo contratos, acordos e registros claros sobre cada relação profissional.

Hoje, diante de tanta distorção e crueldade, é justamente esse cuidado com a formalidade e a transparência que tem me protegido. É o que sustenta minha defesa e me ajuda a atravessar esse momento com clareza e integridade.

Por que você não declarou falência ou pediu recuperação judicial da HOA Galeria?

Porque isso poderia significar encerrar a HOA Galeria sem pagar ninguém — o que, apesar de parecer uma solução confortável para mim, não seria justo com as pessoas que realmente prestaram serviços e que precisam ser remuneradas.

Sigo comprometida em buscar saídas justas e equilibradas para que a história da HOA Galeria termine com dignidade e respeito a quem construiu essa trajetória comigo. Declarar falência ou pedir recuperação judicial são as últimas opções.

Você reconhece as pendências da HOA Galeria? Pretende pagá-las?

Sim. Ainda em tratamento, pedi para que esperassem e assumi por escrito o compromisso de que honraria todas as pendências reais da HOA. E sigo firme nesse propósito. Mas também preciso ser justa: não posso permitir que pessoas tirem proveito da minha vulnerabilidade para inflacionar valores ou cobrar o que não corresponde à realidade da experiência que tivemos.
Na verdade, faz tempo que eu trabalho para que quem deve à HOA nos pague, para que a HOA possa pagar para quem deve, e assim esse ciclo se encerre. Eu só quero cuidar da minha saúde em paz. Parece que estou bem há muito tempo, mas minha melhora é recente — sete, oito meses no máximo. Não posso correr o risco de regredir em algo que lutei tanto para alcançar: sobreviver.

O que você sente sobre como foi tratada por ex-parceiros e ex-colaboradores?

Sinto que houve aproveitamento da minha vulnerabilidade para me prejudicar de formas sem precedentes. E isso é profundamente doloroso. Há também outra galeria grande com várias sedes no exterior que deve valores altos à HOA, e esse caso está sendo tratado de forma extrajudicial. Eu sigo acreditando que ainda é possível chegar a uma resolução justa, porque minha história não acabou.

Você pretende acionar judicialmente essa galeria que deve à HOA?

O ideal seria que não fosse necessário. Prefiro resolver tudo fora dos tribunais, com respeito, clareza e reconhecimento mútuo. Mas não hesitarei em me proteger caso seja preciso.

Como você vê os conflitos com pessoas da sua própria comunidade artística?

São as dores mais difíceis. Porque brigar dentro da própria comunidade, enquanto figuras poderosas, hegemônicas e nocivas seguem intocadas, é injusto. Existe uma diferença entre responsabilizar e rivalizar — e, muitas vezes, o sistema nos empurra para a segunda opção. Mas eu sei quem eu sou. Sei o que construí. E seguirei me defendendo — e defendendo a HOA — de toda e qualquer acusação que considere injusta. Sem medo de perder nada. Porque não é isso que me move. O que eu gostaria honestamente era tempo e espaço para resolver tudo sem guerra.

Você já está completamente curada?

Não. Estou em remissão, o que significa que a doença está controlada, mas ainda não estou curada. Passei por 6 ciclos de quimioterapia combinados com imunoterapia (cada ciclo com 4 sessões de quimio + 1 de imuno) e também fiz 28 sessões de radioterapia. Estou em remissão há 7–8 meses, mas sigo sob acompanhamento constante, com exames periódicos e avaliações médicas. Muita gente confunde remissão com cura, mas a realidade é mais complexa. Meu tumor está estabilizado, porém sem alta médica. Ainda pode ser necessário retomar o tratamento, caso a doença volte a progredir. Esse processo exige atenção contínua à minha saúde física e emocional — e respeito ao meu tempo e limites.

Você está trabalhando normalmente?

Eu trabalho, sim, mas em um ritmo muito mais reduzido do que anteriormente. Tenho retornado às atividades profissionais que exercia antes da HOA e também tenho focado muito mais na minha carreira como artista, que é, hoje, o que sustenta minha vida e a do meu irmão.

Esse trabalho tem sido fundamental não só para manter meu cuidado com a saúde, mas também para conseguir lidar com a avalanche de custos legais e honorários advocatícios que tenho enfrentado recentemente. Estou tentando me reorganizar de forma saudável e equilibrada, respeitando meus limites físicos e emocionais.

O que você deseja a partir de tudo isso?

Uma resolução justa e equilibrada, que leve em conta todo o trabalho construído ao longo desses anos, os investimentos feitos — tanto financeiros quanto intelectuais e emocionais — e todas as circunstâncias atravessadas, inclusive as mais difíceis. Desejo, acima de tudo, poder cuidar da minha saúde com tranquilidade, retomar minha vida com dignidade e ter o direito de viver uma vida longa e de ser feliz.

Why did you invest nearly R$1 million in a property you did not own?
The partnership granted us use of the space until 2027. We fully renovated the warehouse with our own resources, transforming an inactive location into a vibrant hub for contemporary culture. The investments also covered the artistic and cultural programming we hosted there. Since it was a long-term partnership, there was greater security that this amount would be recouped over time through artwork sales, brand sponsorships, and other revenue models.

Did you try to resolve things quietly?
Yes. We pursued out-of-court discussions for a long time, always in dialogue and with the support of legal counsel, trying to reach a fair agreement.

Is HOA seeking compensation?
Yes. The partnership was terminated earlier than agreed upon, which prevented us from continuing the commercial and cultural activities that financially sustained the gallery. The damages caused by this breach need to be compensated.

Was any attempt at dialogue or settlement made before legal action?
Yes. Through our attorneys, we submitted detailed documentation outlining the investments made by HOA, along with clear inquiries regarding any amounts Atropos or Almeida & Dale might consider owed by HOA. The goal was to settle accounts and open a path for reconciliation. However, no response was received from their representatives. It’s worth noting that the amounts now being claimed as debt were previously described by them as institutional support, donations, or sponsorship. All drafts sent by HOA to formalize the terms of collaboration or financing were ignored. Additionally, all counterproposals presented by HOA — none involving a corporate partnership — were rejected, except for the agreement to use the space until 2027.

Was the lawsuit filed against HOA Cultural Society?
No. HOA Cultural Society is a nonprofit organization and has no legal or contractual ties with Atropos or Almeida & Dale. All previous relations occurred exclusively between Atropos and HOA Galeria, which was a commercial entity.

Did HOA refuse to vacate the property?
No. HOA did not refuse to vacate the premises. However, given the premature termination of the usage agreement, we requested proportional compensation for the investments made in the space over the occupancy period. This proposal aimed to ensure a fair and balanced closure. Instead, the last response we received was a legal action requesting police enforcement.

Why did you reject the proposed partnership with Atropos / Almeida & Dale?
The decision was based on a careful review, which included publicly available information related to ongoing investigations involving partners of the Almeida & Dale / Atropos group. In light of this, we determined that it would not be appropriate or advisable to enter into any corporate relationship with the group.

How was the logistical support structured between HOA and Atropos / Almeida & Dale?
Logistics were handled collaboratively. Some expenses were issued under HOA’s customs ID and later reimbursed or paid directly by Atropos. Other operations were executed directly under Almeida & Dale’s name. Given their established infrastructure, they also provided technical support such as conservation, packaging, and storage services. With the abrupt termination of the relationship, HOA was left with significant debts owed to transport companies and art conservation services.

Was there a formal agreement regarding a shared art collection or stock between the parties?
No. Although initial conversations were held on this topic, no formal agreement was reached. The lack of consensus contributed to the deterioration of the relationship.

Why was the gallery closed for so long?
Because the impasse with Atropos halted our operations. We spent months trying to resolve the matter without confrontation.

Did your health condition affect HOA’s operation?
Yes. I was undergoing cancer treatment, but I still developed a system to ensure the gallery’s basic sustainability. However, the collapse of agreements destabilized everything. I kept things running for as long as I could.

HOA has always invested heavily in the development of its artists’ careers — providing direct financial support for the production of artworks, exhibitions, travel, shipping, international fairs, and more.
For this reason, we included reciprocity clauses in our contracts, ensuring that in extreme situations — such as the one we faced artists would be expected to reimburse part of the investments made in their careers. Facing financial collapse, I had to make the difficult decision to enforce this clause in certain cases, suspending further payments and recovering previously invested funds.

Do you believe there are larger systemic issues behind HOA’s crisis beyond individual conflicts?
Absolutely. While there are painful personal layers — including maternal grief and the toll of my treatment — there are also structural, technical, and market-related factors. HOA was a Black-led structure actively shaping the contemporary art market and creating opportunities for people previously excluded. That system was dismantled by opportunism and broken agreements from companies that once called themselves partners. The truth is: if these major galleries that benefited from HOA’s momentum had honored their commitments, HOA would have no debt. But it became clear there was no interest in seeing HOA thrive as an independent structure — without shareholders, investors, or oligarchic control. Our Achilles’ heel was the same as that of most Brazilians: money. And that’s exactly where we were attacked. The default of others unfairly turned us into a defaulting entity. And once the reins loosened, many focused more on taking what they could for themselves than on sustaining a structure built for collective benefit.

Was there a donation from Atropos at the beginning?
Yes, we received an initial donation at the start of the relationship.

Why didn’t you speak out earlier?
Because I believed in dialogue. I thought my goodwill, care, and vulnerability would be respected. But that didn’t happen.

Did HOA Galeria receive public funding?
Never. All of HOA’s investment came from private resources. There was never a profit margin because every cent earned was reinvested into artist production and professional support.

Are there other lawsuits against HOA?
Yes. Unfortunately, we are facing lawsuits from individuals who chose litigation instead of mutual agreement. All are being addressed with legal defense — two have already been suspended by court decision.

Is HOA preventing the return of artworks?
No. However, due to our current financial limitations, not all logistics operations could be completed promptly. Many artists also reported difficulty covering the costs themselves. All artworks have remained safely stored in specialized facilities, properly packaged and preserved at HOA’s expense. Artists who chose to collect their works directly received them in pristine condition, with professional packaging and integrity intact.

Is Almeida & Dale holding HOA artists’ works?
Yes. Some works by artists previously represented by HOA are currently located abroad under the care of Almeida & Dale. We have formally requested their return.

Was the HOA acquisition attempt by Atropos known to others?
Yes. The entire team and the artists were informed. The decision to decline was a collective one. Everyone knew it might result in financial losses — and it did. But I don’t think they fully grasped the extent.

Why did you wait so long to speak up?
Because I was fighting for my life. And I believed that the care and respect I had shown would be reciprocated. But faced with silence and narrative manipulation, I must ensure my side is heard.

How much did HOA invest in artists’ development?
Approximately R$5 million over the past few years. Investment per artist ranged from R$30,000 to R$1 million depending on the project, opportunities involved, and stage of each artist’s career.

Where were these amounts allocated?
It depended on each artist’s project. HOA always adapted to each case. These investments included housing and utilities, public exhibitions, logistics support, studio rent, materials, legal aid, promotional materials, international support, professional mounting and framing, travel, flights, lodging — everything possible to allow artists to dedicate themselves to their practice. Of course, we couldn’t provide 360-degree support for everyone, but all received substantial backing.

Was the reciprocity clause always enforced?
Yes. It was included from the first version of our contracts to avoid losses in case of rupture. I believed it would become more relevant over time — and it did. In all cases, it was applied. Artists who opted for an amicable resolution are reimbursing the investment through donated works. Retained payments are case-specific and vary based on sales history and volume.

How did HOA handle contractual understanding and formalization with artists?
Unfortunately, in some cases, artists maintained professional relationships with HOA for up to three years without seeking to fully understand the contracts they signed — even after receiving several versions for review and signature. HOA always offered legal support and ensured that all agreements were formalized in writing. Contractual transparency was a core principle of our institutional conduct.

How do you respond to artists frustrated with HOA’s model?
Frustration when expectations aren't met is human. But I also believe few truly understand what it takes to build and maintain a structure like HOA. From the start, we proposed not just a new model of circulation, but a reimagining of the rules. That put us at odds with the system — from collectors to established galleries. We enforced resale royalty clauses that few even wanted to discuss, to ensure artists’ long-term financial well-being. We charged percentages from galleries exhibiting our artists, advocating for shared benefits. Making ends meet was always hard — especially in under five years.

Moreover, collectors often delayed or paid in installments — something artists didn’t always grasp. They blamed HOA for delays when we were still chasing payments. International payments were the hardest, since artists lacked global banking structures. Everything had to go through us, and currency exchange and customs paperwork slowed things down. Some relationships began as personal friendships, and what was professional ended up becoming highly personalized, adding yet another layer of frustration. I understand the urgency of life doesn’t always align with a gallery’s pace, but my priority was always that the work got made. Because with or without HOA, the work is what will keep the artist standing.

Why didn’t you publicly expose or retaliate against those suing you or HOA?
Because I won’t be the one to confirm the dominant narrative that we are disorganized and fight among ourselves. Although many statements are defamatory, exposing them is not in my interest. I understand structural violence too well to fall into that trap. I’ve always chosen dialogue, and even in the face of attacks, I defend myself — but I will not feed the cycle of destruction among people who, deep down, were all impacted by a much larger structure than our personal frustrations.

Did artists know about HOA’s difficulties and negotiations with other galleries?
Yes, I was always transparent with the artists about challenges and negotiations — especially when larger galleries entered the picture and hard decisions had to be made. But not everyone fully grasped the severity of what we were facing. Not for lack of communication, but because the system itself fails to teach how these structures work — especially to those coming from the margins.

Do you think the artistic community understands how the art market’s financial and political systems work?
No. Sadly, I believe most artists are still unaware of how the art market’s financial and political structures function. That creates situations we can’t always fully understand. I only managed to open a gallery because of my background in business strategy, which gave me the foundation to build something solid. Still, I learned much through trial and error. I always tried to act responsibly — formalizing everything, keeping contracts and clear records of every relationship.
And now, facing so much distortion and cruelty, it’s precisely this attention to formalization and transparency that is protecting me. It’s what sustains my defense and helps me move forward with clarity and integrity.

Why didn’t you declare bankruptcy or file for judicial reorganization of HOA Galeria?
Because that could mean shutting down HOA Galeria without paying anyone — which, while it might have seemed like a comfortable solution for me, would not be fair to the people who truly rendered services and deserve to be compensated.
I remain committed to finding fair and balanced solutions so that HOA’s story ends with dignity and respect for those who helped build this journey with me. Declaring bankruptcy or seeking reorganization are absolute last-resort options.

Do you acknowledge HOA Galeria’s outstanding obligations? Do you intend to pay them?
Yes. Even while undergoing treatment, I asked for patience and formally committed to honoring all legitimate debts of HOA. I remain firmly committed to that promise.
But I also need to be fair: I cannot allow people to take advantage of my vulnerability to inflate amounts or claim compensation that does not reflect the reality of our shared experience.
In fact, I’ve long been working to ensure that those who owe HOA pay us, so that HOA can pay those to whom it owes — and thus close this cycle. I only want to care for my health in peace. It may seem like I’ve been well for a long time, but my recovery is recent — just seven or eight months. I can’t risk a setback after fighting so hard to survive.

How do you feel about the way you were treated by former partners and collaborators?
I feel that my vulnerability was exploited in unprecedented ways — and that is deeply painful. There is also another major gallery with several international branches that owes HOA a substantial amount, and that case is being handled through extrajudicial means.
I still believe a fair resolution is possible, because my story is not over.

Do you intend to take legal action against that gallery?
Ideally, no. I would prefer to resolve everything outside the courts, with mutual respect, clarity, and recognition. But I will not hesitate to protect myself if necessary.

How do you view the conflicts with people from your own artistic community?
These are the hardest wounds. Because fighting within our own community, while powerful, hegemonic, and harmful figures remain untouched, is deeply unfair.
There is a big difference between accountability and rivalry — and often, the system pushes us toward the latter.
But I know who I am. I know what I’ve built. And I will continue to defend myself — and HOA — against any accusations I deem unfair. Without fear of losing anything. Because that’s not what drives me.
What I truly want is time and space to resolve everything without war.

Are you completely healed?
No. I am in remission, which means the disease is currently under control, but I am not cured.
I underwent six cycles of chemotherapy combined with immunotherapy (each cycle included four chemo sessions and one immuno), as well as 28 sessions of radiotherapy. I have been in remission for 7 to 8 months, but remain under close medical supervision with regular tests and evaluations.
Many people confuse remission with a cure, but the reality is more complex. My tumor is stabilized, but I have not been medically discharged. Further treatment may be necessary if the disease progresses.
This process requires ongoing attention to both my physical and emotional health — and respect for my time and limits.

Are you currently working?
Yes, but at a much slower pace than before. I’ve returned to the professional activities I used to engage in prior to HOA, and I’ve also been focusing much more on my career as an artist — which today supports both my livelihood and my brother’s.
This work has been crucial not only for maintaining my health but also for managing the avalanche of legal fees and attorney costs I’ve faced recently.
I’m doing my best to reorganize my life in a healthy, balanced way, respecting my physical and emotional limits.

What do you hope for after all this?
A fair and balanced resolution that takes into account all the work carried out over these years, the investments made — both financial and emotional — and all the hardships we endured.
Above all, I hope to be able to care for my health in peace, to reclaim my life with dignity, and to have the right to live a long, fulfilling, and joyful life.